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DOSES DE ROMANCE
DOSES DE ROMANCE

 

 


CAPÍTULO I

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CAPÍTULO II

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CAPÍTULO III

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CAPÍTULO IV

 

A dor tomou Maria de uma forma tão dilacerante que ela mal conseguia respirar. Precisava sair e foi pelo ônibus com as lágrimas lavando seu rosto. Chorava sem controle, sem se importar com os olhares curiosos dos que estavam à sua volta. Já não soluçava mais, apenas transbordava de tanta dor. Não pensava em como acontecera ou com quem acontecera, ela não estava com raiva de seu príncipe, a única coisa que ocupava seus pensamentos era a certeza de que ele era um homem de verdade, íntegro e honrado, que se sua namorada estava grávida ele jamais a abandonaria e ele estava certo. Maria nunca abandonara nenhum de seus sonhos, mas aquele acontecimento sepultara todas as suas esperanças de construir a família com que tanto sonhara com o seu grande amor. Seu sonho acabara ali e ela achava que não tinha mais o direito de querer sorrir ou trocar olhares com aquele que durante anos chamara de seu príncipe, seu rei. Aqueles olhares silenciosos que diziam tanto não aconteceriam mais, pois ela não tornaria ainda mais dolorido o que já lhe era difícil demais. Tinha que acabar com tudo aquilo. Ela sabia que seria impossível esquecer, mas guardaria tudo aquilo em algum lugar dentro de si onde não pudesse ver, até o dia em que virasse uma linda lembrança. Queria que ele fosse feliz e tinha esperança de um dia, quem sabe, também conseguir ser, para isso não deveria vê-lo mais.

 

Maria alterou seus percursos, mudou o ponto de ônibus onde saltava, o local de atravessar a rua, tudo procurando evitar ver aquele pelo qual ainda chorava. A saudade era enorme e frequente e a única coisa que lhe ajudava eram as músicas, as lembranças e aquele abraço que deixara nela o cheiro delicioso do corpo do seu amor. Nas noites mais longas e doídas, a luz para tirá-la da escuridão da dor era a da lembrança do brilho do olhar e do sorriso daquele que sempre chamara de rei e que já concluíra que seria seu eterno rei. Aquele sorriso encantador que iluminava todo o seu rosto muitas vezes lhe resgatou da dor e conduziu seu sono até o amanhecer com a dura realidade de que não o teria mais.

Mesmo sem nunca ter dito nada e sem ter ouvido uma única palavra sobre isso de seu amor, Maria sempre sentiu que havia algo entre ela e seu príncipe, algo muito maior, mais forte e verdadeiro do que ela seria capaz de nomear e isso algumas vezes fazia com que ela se preocupasse com ele, com que pedisse a DEUS que tudo desse certo e que ele fosse feliz com o bebê e sua esposa. Não queria que ele sofresse, já bastava sua própria dor.

 

O pai de Maria foi o único que demonstrou perceber que seu olhar andava sem brilho e que seu sorriso não tinha mais a esperança brilhante de sempre. Perguntou e insistiu muito, mas ela não lhe disse nada, achou que ele poderia ficar aborrecido e não queria que ninguém julgasse seu príncipe, o que ele fizera ou o que ela sentia, já guardara tudo por tanto tempo, não haveria de ser agora que tudo estava acabado que contaria a alguém, até porque sempre achou que se um dia tivesse que contar a alguém, este alguém teria que ser o seu príncipe e não faria isso com ele, não agora que ele tinha uma responsabilidade grande pela frente e tinha que tentar ser feliz.

 

Maria voltou-se totalmente para a escola e para o grupo de amigos que tinha lá, foi a maneira que encontrou de tentar não pensar tanto no passado. Daqueles tempos guardou uma amiga em especial que mesmo sem saber de nada, era o seu elo com as lembranças engraçadas daquele tempo em quem convivia com seus sonhos de amor. A música era a sua maior companhia e como esta sua amiga também amava a música, os momentos juntas eram mágicos e ela ficava feliz em vê-la despertar para um amor de verdade que já dava sinais de que seria uma realidade em sua vida para sempre. Assistir aquela felicidade dava um renovo às forças em Maria que ao invés de invejá-la, vibrava em ver que o amor e a felicidade eram possíveis e um dia também aconteceria com ela. Aquela amizade crescia e se fortalecia no decorrer do tempo e sua amiga em pouco tempo tornou-se uma força protetora tanto sobre o ponto de vista emocional quanto real, pois intrépida e de personalidade forte, sua amiga parecendo entender sua sensibilidade e carências diante das dores e problemas em sua casa, não se furtava a defendê-la com ímpeto nas mais diversas situações, até mesmo diante de seu algoz.

 

O tempo passava rápido, a vida voava e pouca coisa se modificava na casa de Maria além do fato de sua mãe estar cada vez mais distante dela e de seu pai e consequentemente, seu pai mais próximo dela. Eles haviam conseguido uma relação de apoio, compreensão e companheirismo com base sólida, totalmente fundamentada no maior, mais puro e verdadeiro amor que Maria já experimentara. Em contrapartida sua mãe parecia se tornar cada vez mais frágil, as escolhas erradas que fizera, sua forma de sentir, cheia de ressentimentos e mágoas estava fazendo dela uma pessoa cada dia mais sozinha dentro dela mesma, fechada a receber o amor que tinha totalmente disponível a ela por parte de Maria e seu pai, enquanto esperava amor de quem não tinha para lhe dar. Maria a amava muito e tentava de todas as formas fazê-la perceber o amor imenso que tinha por ela e o quanto queria fazê-la feliz, mas isso só parecia irritá-la e ela mais e mais se afastava indo na direção do algoz de Maria supondo que ali estava o seu porto seguro de apoio e amor, mas estava enganada.

 

O algoz de Maria saíra de casa seguindo seu próprio rumo e Maria supôs que final havia chegado o momento de uma proximidade maior com sua mãe, mas ela optou por substituir a presença pela saudade e passava os dias a contar o momento do próximo encontro, a chorar de saudade e se por alguns instante aceitava receber amor, em nenhum momento se doava em amor à Maria e seu pai, mas eles permaneciam firmes no propósito de protegê-la de seus próprios sentimentos e salvá-la do abismo em que se jogou. Neste período repetiram-se inúmeras vezes as palavras do pai de Maria quanto a ser paciente e cuidadosa com sua mãe, pois ela precisava e precisaria cada vez mais e mais dela.

 

E assim passavam-se os dias com Maria vivendo um após o outro, com esperança e fé, guardando sempre o amor de seu príncipe em seu coração, até o dia em que a vida lhe apresentou sua pior face.

 

Era manhã de uma terça-feira e Maria se preparava para encontrar-se com uma amiga em torno das 11:00h. Todos já haviam tomado café e seu pai acabara de chegar da feira. O dia parecia normal até que Maria foi ao quarto para se arrumar e encontrou seu pai rolando de dor sobre a cama. Ela correu a seu encontro, perguntava o que ele sentia, mas ele só respondia que ficasse com sua mãe, que nunca a deixasse sozinha, que nunca a abandonasse. Maria acabara de fazer vestibular e não foi difícil perceber que o caso era sério, que ele parecia estar enfartando. Ela correu a pedir ajuda aos vizinhos e ajudada por eles, correu a uma clinica do bairro com seu pai a fim de ajudá-lo, de salvá-lo. Correu pelas ruas com as lágrimas escorrendo pelo rosto, de alguma forma ela pressentia o pior. Chegaram à clínica e após o atendimento foi constatado que ele havia enfartado e precisava ser transferido a um hospital para de receber o tratamento adequado e fazer os exames necessários, então Maria pediu que sua mãe levasse à clínica os documentos de seu pai. Enquanto esperava, sentou-se na escadinha de ferro ao lado da maca onde ele estava deitado e ali o viu chorar por alguns minutos... Ele chorou muito, convulsivamente. Repetiu mais algumas vezes que não deixasse sua mãe sozinha e quando ela apareceu na porta da sala de emergência, ele a olhou e se foi, nos braços de Maria. Ela gritou muito pelo médico e foi tirada da sala enquanto tentavam reanimá-lo. Chorou desesperadamente por alguns minutos na recepção da clínica, mas de repente sentiu como que um sopro em seu rosto e o desespero tornou-se em uma exaustão serena, sem desespero, sem revolta, sem pressa... Tinham medo de lhe dizer, pois a esta altura todo o bairro sabia da relação forte de amor e dependência entre os dois, mas ela já sabia, seu pai estava morto.